sexta-feira, 15 de março de 2013

Mulheres Pioneiras ( Eliza Partridge Lyman )



Quando os santos viajavam para o Vale do Lago Salgado, as mulheres ajudavam-se umas às outras a cuidar de suas famílias.
Os santos foram abençoados pelo poder do sacerdócio por meio da imposição de mãos dos irmãos que possuíam o sacerdócio. Também receberam alento por meio da fé em Deus, caridade, força e orações das irmãs.
Como havia muitas pessoas enfermas, as irmãs serviam como médicas e enfermeiras para suas próprias famílias e umas às outras, como fizeram em Nauvoo. Drusilla Dorris Hendricks relembrou: “Não havia um único carroção em todo o acampamento sem que houvesse alguém enfermo, [mas] suportamos tudo isso com a paciência de Jó”. A mortalidade era muito alta, especialmente entre os bebês.

 Eliza Partridge Lyman deu à luz um filho em 14 de julho de 1846, dentro de um carroção. Como muitos bebês entre os pioneiros, o menino não sobreviveu. Em um diário, Eliza descreveu sua experiência pessoal:

14 de julho de 1846: “Estou muito mal-acomodada para uma mulher doente. O sol escaldante brilhando sobre o carroção durante o dia e o ar frio à noite, é uma mudança por demais brusca e nada saudável”.

15 de outubro de 1846: “Tomamos posse hoje de nossa cabana de toras. A primeira casa em que meu bebê esteve. Sinto-me extremamente grata pelo privilégio de sentar-me junto ao fogo, onde o vento não sopra em todas as direções, e onde posso aquecer um lado do corpo sem congelar o outro. Nossa casa não tem piso nem outros confortos, mas as paredes nos protegem do vento, embora o telhado de palha não nos proteja da chuva”.

6 de dezembro de 1846: “Meu bebê [está] doente e piorando. Chorou o dia inteiro, mas não sei o que o aflige”.

12 de dezembro de 1846: “O bebê está morto e choro sua perda. Fizemos tudo que podíamos por ele, mas de nada adiantou. Ele continuou piorando desde que adoecera. Minha irmã Caroline e eu ficamos acordadas a noite inteira e tentamos salvá-lo da morte, pois não suportávamos a ideia de perdê-lo, mas nada pudemos fazer. (…)

Ainda tenho amigas que me são muito queridas. Se não fosse isso, teria desejado dar adeus a este mundo, pois ele é tão cheio de desapontamentos e sofrimento. Mas creio que há um poder que zela por nós e conserta todas as coisas”
.

Como disse Eliza, ela recebeu alento por meio da amizade de irmãs atenciosas. Mais tarde, ela ofereceu essa mesma amizade e compaixão, ajudando outras mulheres que passavam por angústias semelhantes. 


Em 1º de junho de 1847, ela escreveu: “O bebê da irmã Elvira Holmes morreu. Recebi o convite (…) de passar o dia com ela e o aceitei. Visitei com ela o túmulo de seu filho”.


Muitas mulheres santos dos últimos dias deram à luz filhos durante sua jornada até o Vale do Lago Salgado.

Nessas situações difíceis, as irmãs confiavam no poder de seus convênios. Bathsheba W. Smith, a quarta presidente geral da Sociedade de Socorro, relembrou mais tarde essas experiências pessoais:

“Não tentarei descrever como viajamos em meio a tempestades de neve, vento e chuva, como as estradas tiveram que ser abertas, pontes edificadas, balsas construídas, como nossos pobres animais tiveram que puxar os carroções dia após dia com pouco alimento, nem como nossos acampamentos sofreram de pobreza, enfermidades e morte. Fomos consolados (…) realizando nossas reuniões públicas e particulares em paz, orando e cantando os hinos de Sião, e regozijando-nos por estarmos deixando nossos perseguidores bem longe para trás. Fomos ainda consolados por ver o poder de Deus manifestar-se por meio da imposição de mãos dos élderes, fazendo os enfermos serem curados e os aleijados andarem. O Senhor estava conosco e Seu poder se manifestou diariamente.”

As mulheres também encontraram força espiritual no amor e na compaixão umas das outras. Durante toda a jornada, ao sofrerem provações de enfermidade e morte, elas oraram com fé umas pelas outras e consolaram-se mutuamente. “O amor de Deus fluía de um coração para outro”, escreveu Helen Mar Whitney, “até que o maligno parecia incapaz de interpor-se entre nós e o Senhor, e seus dardos cruéis, em algumas ocasiões, perdiam o aguilhão”.

Lembrando a instrução inspirada do Profeta Joseph Smith, essas fiéis mulheres pioneiras tinham a visão de seu poder e potencial para o serviço. Elas ajudaram a estabelecer lares e comunidades. Por meio de obras de fé e caridade, salvaram almas. Seus sacrifícios tiveram um efeito santificador sobre si mesmas e sobre os que recebiam suas ofertas.

Mesmo sem as reuniões formais da Sociedade de Socorro, as mulheres pioneiras seguiram os ensinamentos proféticos e guardaram seus convênios do templo, e ao fazê-lo, contribuíram para um capítulo extraordinário da história da Igreja e do Oeste americano. Um importante historiador que não era membro da Igreja escreveu: “O fato de eu não aceitar a religião deles não significa que duvide de sua frequente devoção e heroísmo em nome dela. Especialmente as mulheres. Suas mulheres eram incríveis”



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